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quarta-feira, 9 de abril de 2014

Project46 cria sua nova 'sinfonia destrutiva'

A sensação de ouvir Project46 pela primeira vez é quase tão impactante quanto a descida de uma montanha-russa. Veloz, precisa, poderosa e, na ânsia dos primeiros segundos, pode estontear o marinheiro de primeira viagem. O Estado teve acesso ao álbum mais recente da banda de metal de São Paulo, Que Seja Feita a Nossa Vontade, o segundo do quinteto, que será lançado oficialmente no dia 8 de abril.

Leia no Portal Estadão: http://www.estadao.com.br/noticias/arte-e-lazer,project46-cria-sua-nova-sinfonia-destrutiva,1144850,0.htm

A outra face de Gregory House

O médico mais misantropo da história da televisão mostrou-se também exímio músico. Alternando voz, piano e guitarra, o ator Hugh Laurie, mais conhecido por ter interpretado o personagem Dr. House na famosa série americana, experimentou pela primeira vez uma turnê em palco brasileiro. Acompanhado da Copper Bottom Band, Laurie deixou o público que lotou o auditório do Citibank Hall aturdido com o bom gosto de suas novas canções, do álbum Didn't it Rain, na noite deste sábado, 29. Apresentação extra ocorre neste domingo, às 20h.
Leia no Portal Estadão: http://www.estadao.com.br/noticias/arte-e-lazer,a-outra-face-de-gregory-house,1147077,0.htm

Palhaço espanhol faz refugiados palestinos rirem em meio a conflito

O ator e palhaço espanhol Iván Prado faz rir quem não sorri há muito tempo. Ele é responsável pelo primeiro festival circense do mundo árabe, o Festiclown Palestina, que fez apresentações para refugiados em 2011 e terá uma segunda edição este ano. Como diretor do grupo Pallasos em Rebeldia, apresentou-se na Faixa de Gaza e testemunhou de perto bombardeios no Oriente Médio.
Leia no Portal Estadão: http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,palhaco-espanhol-faz-refugiados-palestinos-rirem-em-meio-a-conflito,1147295,0.htm

domingo, 24 de fevereiro de 2013

O fim da quarta parede em "House of Cards"

 Um cão agoniza numa rua cinzenta, após ser atropelado. Céu escuro, seus gemidos são o único som existente a uma distância de dois ou três quarteirões. Surpreso com o forte estampido do carro que precedeu o acidente, o deputado Frank Underwood (Kevin Spacey) invade a tela pela primeira vez. Segue em direção ao animal e fala diretamente à câmera, personagem ao espectador, transferindo seu pensamento a uma metalinguagem pouco comum em seriados: "Há dois tipos de dor: a dor que o torna mais forte e a dor inútil, a que se reduz a sofrimento. Não tenho paciência para inutilidades". São as últimas palavras do personagem antes de encurtar o sofrimento do cão com a morte.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Palahniuk está entediado

obs.: este é um texto da aba "relato pessoal", fora do tema principal do site.

Estou entediado. Não do tipo que se martiriza pela falta do que fazer. Mas por não estar afim de fazer o que  há para se fazer. 
Nada.
Nada mesmo.

E só pelo prazer da companhia, vou entediá-lo também.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Corrones: saudosismo, sátira e rock’n roll

Este release foi escrito para o site Sorockaba

Num resgate à sonoridade clássica do rock'n roll  das décadas de 70 e 80, a banda Corrones prepara um setlist arrasador para a noite desta quinta (14), a partir das 22h, no Asteroid Bar.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Artigo/release: Cinco paradas obrigatórias para 2013

Texto para o site E-Dublin


O site Lonely Planet elegeu os Top 5 destinos para uma visita. Dois deles, na Europa: Amsterdam e a cidade de Derry, na Irlanda do Norte.Se você ainda não sabe onde passará as suas férias, a listinha logo abaixo  é um bom começo para se programar!




Derry!!! Foto reprodução Derryvisitor.com

Amsterdam

A capital dos Países Baixos é parada obrigatória a qualquer um que se aventure em viagens pela Europa. Não faltam pontos turísticos de interesse: o famoso Mercado de Flores (Hortus Botanicus), o museu de arte moderna Stedelijk Museum, a casa de Anne Frank e o Museu Van Gogh (com o maior número de obras do artista que dá nome ao local no mundo) são apenas alguns exemplos. Para  o site Viajeaqui, da editora Abril, a tolerância a temas como a religião, drogas, sexo e liberdades individuais, além do clima festeiro, é marca registrada e um dos fatores que atrai mais visitantes para a região. Em 2013, Amsterdam celebra diversas datas importantes, como os 400 anos de seus famosos canais e 160 anos do nascimento de Van Gogh.

O clima do local é moderado e úmido, com invernos frios, mas que não chegam ao extremo como em outras regiões europeias. Em alguns dias do ano, costuma nevar. Os verões têm temperatura em torno de 25º, também não muito quentes.

A gastronomia holandesa, como aponta o blogueiro Daniel Duclos, é um destaque à parte: Stamppot (batata cozida e amassada com algum vegetal, geralmente acompanha carne), perpernoten (biscoitinhos de especiarias) e poffertjes (panquecas típicas da região).

Pequim (Běijīng)

Conhecida por abrigar a “cidade proibida”, antigo palácio imperial chinês e por sediar os jogos olímpicos em 2008, Pequim continua apaixonante. Não se preocupe com o idioma, pois boa parte dos comerciantes e a população em geral têm conhecimentos do inglês.


Conheça a Muralha da China: como diz um antigo ditado chinês: “um homem só se torna homem quando caminha pela Muralha”. Vai desperdiçar a oportunidade?  Há diversas formas de se chegar lá e o site Precisoviajar  dá estas dicas. O Templo do Paraíso, local onde os imperadores se fixavam durante o Solstício de Inverno, é de uma vista vislumbrante. É composto Três ordens de telhados esmaltados, com uma base em mármore. Em seu interior, um parque de monumentos erguidos no século XV. A própria Cidade Proibida, situação no coração de Pequim, é um dos pontos que costuma atrair mais turistas. O palácio e suas dependências são muito bem conservados e estão abertos para visitação desde 1950.
De clima continental, espere por um tempo seco, embora no verão possa chover bastante. Invernos muito frios (abaixo de 0º) e verões que podem ficar acima de 30º (nada que nós brasileiros já não estejamos acostumados). O site viajarpelomundo  traz maiores detalhes sobre os locais a se visitar na capital chinesa.

Londonderry (ou apenas Derry)
E-Dublin já fez um texto sobre Derry , com relatos de um viajante contando suas impressões sobre a cidade. Classificada como a “cidade da cultura de 2013” no Reino Unido, Derry conta com um histórico que atrai qualquer um a visitar e conhecer sua cultura. Em 2013, abrigará grandes festivais irlandeses, da música ao cinema, para todos os gostos.  E a programação já começou… para se programar acesse

Montreal

A segunda cidade mais populosa do Canadá (cerca de 1,6 milhões de habitantes) é conhecida por seus contrastes culturais entre a Europa e o “Novo Mundo”. Para se ter uma ideia, lá se fala tanto inglês quanto francês (embora, de acordo com um censo realizado em 2006, mais da metade da população comunica-se em inglês, inclusive os comerciantes). Alguns consideram que a predominância cultural seja francesa, com letreiros e avisos escritos no idioma, inclusive em situações em que nem a própria França utiliza mais, como em placas de trânsito. Os trabalhos nas escolas são apresentados todos em francês, mesmo que algumas aulas possam ser em inglês.

Montreal é ótima para caminhar, por causa do relevo plano. As galerias subterrâneas são outro destaque – há uma espécie de “cidade” subterrânea por lá: mais de 30 quilômetros de túneis que interligam os pisos subterrâneos de shopping centers e edifícios comerciais. O metrô, conhecido por sua eficiência e facilidades, é a melhor forma para se chegar aos pontos mais interessantes da cidade, como o Parque Olímpico e a Ilha de Santa Helena.
É possível aproveitar uma agitada vida noturna nos bares das ruas Maisonneuve e Crescent e da rue St.-Denis. Para quem aprecia a arte, o Museu de Belas Artes e o Museu de Arte Contemporânea são obrigatórios.
O clima do local é variável. A instabilidade do tempo é considerada característica pelos habitantes da cidade, portanto esteja preparado para as mais diversas situações.

São Francisco

Detentora de uma vida tranquila e ao mesmo tempo cheia de afazeres, São Francisco é destaque por sua música, arquitetura, gastronomia, passeios e boas compras. Atividades culturais são promovidas durante todo o ano e os turistas podem acompanhar as temporadas de balé, óperas, o famoso festival de Jazz de São Francisco, maratonas e até mesmo a parada de orgulho gay, uma das mais conhecidas no mundo.

Economize: este é um dos destinos mais caros nos Estados Unidos, com um custo de vida elevado. Regiões como a Union Square e Chinatown são centros de compra obrigatórios, acrescentando mais gastos ao seu bolso. Quase 8 bilhões de dólares foram deixados na cidade em 2010 por estrangeiros, de acordo com dados do San Francisco Convention & Visitors Center Bureau.

Foto reproducao: derry.visitor.com

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Matéria: Uma Nôva pegada para um rock tradicional


Uma 'Nôva' pegada para um rock tradicional

Banda sorocabana lança o EP 'Tempo' na internet e anuncia que show de estreia será no dia 16 de maio, no Asteroid Bar
Notícia publicada na edição de 10/05/2012 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 1 do caderno C - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.
Luiz Fernando Toledo
luiz.toledo@jcruzeiro.com.br


Seis jovens e alguns instrumentos musicais fechados em uma sala durante meses. A ideia de décadas atrás se renova com frequência e continua apaixonando. Partindo de um nicho de sonoridade em ascensão constante no Brasil, "o rock alternativo", a banda Nôva se propôs a fazer uma música que não fugisse dos moldes tradicionais do gênero, ao mesmo tempo flertasse com elementos de peso, característicos do heavy metal, e ainda a euforia do pop contemporâneo. Nas palavras, a mistura soa mais complicada do que realmente é. Mas o ritmo do EP "Tempo", criado pelos músicos Fernando Xavier (vocal), Paick Alix (guitarra), Gustavo Kussuki (guitarra), Guilherme Hoffart (teclado), Pedro Barbosa (bateria) e Thiago Bertola (baixo), flui como poucos desta nova geração.

Com produção e mixagem do músico Felipe Colenci, o EP traz cinco faixas com letras em português: "Superficial", "Estrada sem fim", "Eu sei", "Teatro" e "Tempestade". A opção pelo nosso idioma, contrária a uma legião de bandas de rock que preferem o tradicional inglês, se deve a um fator explicado pelo guitarrista Gustavo Kussuki: "Queríamos transmitir sinceridade nas músicas. Em inglês, acabaríamos com frases longe da nossa realidade e não nos expressiaríamos bem", argumenta. O som, que alterna guitarras pesadas, solos de teclado e um baixo constante, tem refrões grudentos e letras que o grupo explica como "a ânsia jovem com a poesia adulta". 

Favoráveis à expansão da internet como principal meio de divulgação do trabalho artístico dos músicos, o Nôva disponibilizou as cinco músicas para download gratuito em sua página no Facebook. Para baixá-las, basta acessar: http://www.facebook.com/novaoficial. Para quem prefere adquirir o CD, a banda fará seu primeiro show no dia 16 de maio, no Asteroid Bar. A comercialização do material será inusitada: não haverá preço fixo. "O público vai pagar quanto achar que o EP vale ou mesmo quanto tiver de dinheiro na bolso na hora", explica Kussuki.
 
Histórias e metas 
Com uma distância considerável entre a criação da banda, em 2009, e o lançamento do primeiro material oficial, em 2012, o guitarrista e estudante de engenharia civil Paick Alix confessa que quase não reconhece sua banda, em relação ao ano em que tudo começou. Eram apenas três ex-membros (Paick, Pedro e Thiago) de uma outra banda de rock, a Falls of Glory, que decidiram criar um novo grupo com ideias focadas no country rock ou algo semelhante.
 
Só que uma coincidência mudaria os rumos do trio. O guitarrista Gus Kussuki, que trabalha na escola musical e studio Music House, aguardava uma banda que ensaiava no local. "Eu estava lá esperando a banda e o Paick apareceu do nada no studio. Acho que não tinha nada pra fazer", brincou Kussuki. Na conversa descompromissada, surgiu o convite de Paick para que o músico entrasse para o Nôva. "Pra falar a verdade, a banda começou com a entrada do Gus. Eu e o pessoal só tínhamos feito uns dois ou três ensaios no começo", comentou Paick.

O posto de vocalista foi o empecilho maior. Foram seis testes antes do grupo encontrar o estudante de publicidade Fernando Xavier. "Nós tentamos muita gente, mas ninguém se adequava ao nosso som, às nossas ideias. Até eu tentei cantar, quando vi que não daria certo com ninguém, mas sou muito tímido para isso", explica Gus Kussuki. Trocando olhares bem humorados com Paick, relembrou: "Foram tantas tentativas, que até faltavam argumentos para dispensar os candidatos." Conheceram Xavier em um evento da Virada Cultural Paulista 2010, que ocorreu na Usina Cultural. O estilo plural de Fernando, que mesclava o rock tradicional com o heavy metal, foi decisivo para entrar na banda.

Já o tecladista Guilherme Hoffart entrou na banda por experimentação do grupo. "No começo, queríamos apenas que ele nos desse uma força com samplers", explica Paick. "Era para ele ir em alguns ensaios, mas acabou frequentando todos e nos ajudando a criar as músicas", completa Gus. A banda o considera "como um terceiro guitarrista", que não serve apenas para preencher o som, como em outras bandas de rock, mas como o membro que incorpora sons diferentes e dá uma nova roupagem às musicas. O integrante também participa das composições e das letras. Fernando explica que a música "Tempestade" foi inspirada na trajetória do tecladista, que abandonou um emprego no banco, em que estava há cinco anos, para se dedicar à música. "É uma faixa que fala da paixão de se fazer aquilo que realmente se gosta", esclarece.

Para 2012, o Nôva planeja o lançamento de um videoclip, que será produzido por Alex Batista, mas ainda não divulga qual será a música. Pensam também em um novo EP, pois já têm outras músicas finalizadas e desejam mostrar o novo repertório ao público. "Acredito que a nossa principal meta do ano será divulgar nosso som. Será show atrás de show", finalizou Fernando.

domingo, 6 de maio de 2012

Matéria: Ação, violência e, principalmente, vingança


Ação, violência e, principalmente, vingança

Aos 26 anos, o estudante de história Icles Rodrigues é autor de cinco livros, cuja linguagem remete à sétima arte
Notícia publicada na edição de 07/06/2012 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 002 do caderno C - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

 Luiz Fernando Toledo


Se a máxima "qualidade antes de quantidade" for verdadeira, Icles Rodrigues pode se considerar um vitorioso nas duas facetas da afirmação: aos 26 anos, o estudante de História de Florianópolis já escreveu cinco livros e prepara o sexto. Passagens viscerais e um texto dinâmico são características frequentes em sua obra, que permite ao leitor adentrar o universo literário quase como se assistisse a um filme de ação. E se realmente o fosse, Quentin Tarantino provavelmente se interessaria pelo roteiro, recheado de sequências frenéticas de pancadaria, sentimentos de vingança e analogias com clássicos da literatura e do cinema.

A comparação com o diretor de cinema que trouxe "Bastardos Inglórios" e "Kill Bill" não é vã. Rodrigues assume ter mais influência do cinema que da literatura para criar e narrar suas histórias. Na verdade, as técnicas e referências parecem se complementar. "A Divina Tragédia", quinta obra do jovem, traz diálogos rápidos e uma narrativa em primeira pessoa que permite certa aproximação com os personagens, sejam eles vilões ou heróis. Golpes e feridas são descritos de forma realista e meticulosa, dando vida aos protagonistas "Dante" e "Virgílio", clara referência ao poema épico de Dante Alighieri, "A Divina Comédia". O enredo gira em torno desta dupla, que só leva o nome de personagens do renascentismo europeu, mas que vive na sujeira e no escárnio de uma cidade de crimes e prostituição, em pleno século 21. A impressão de "filme violento" é reafirmada por diálogos caricatos, palavrões frequentes e até mesmo citações diretas, como quando um dos personagens se compara a Alex Delarge, protagonista do filme "Laranja Mecânica", do diretor Stanley Kubrick.


Trilogia


"Santificada seja minha vingança" é a primeira parte de uma trilogia criada por Rodrigues, que se completa com "A Marca de Caim" e "Arautos do Anticristo". Nesta história, citações bíblicas climatizam, de maneira quase épica, a história de Gabriel Fernandes, jornalista investigativo que descobre os trâmites fraudulentos e criminosos do empresário Matheus Garcia e, por causa de sua investigação, tem sua vida e a dos que o cercam posta em risco. Logo na introdução, a citação ao versículo 10 do capítulo bíblico do Apocalipse gera tensão ao leitor, prevendo um enredo que permite poucas reflexões imediatas, mas incita a curiosidade e instiga pelo ritmo das ações: "Clamaram em grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?", anuncia o trecho.

Nos dois livros lançados após a trilogia, "Era uma vez em Leningrado" e "A Divina Tragédia", Rodrigues inovou e se aproximou mais uma vez da linguagem cinematográfica, ao usar amigos "reais" como atores, que participaram das fotografias que ilustram as duas histórias. Ele próprio participa de algumas das imagens, fazendo o papel de protagonista destas obras. De autoria do próprio escritor na maioria dos casos, estas ilustrações ajudam a dar vida aos textos e a criar maior identificação visual com a história. O próximo livro, que deverá se chamar "Freiras Assassinas", terá este trabalho visual apenas na capa. Rodrigues está finalizando a produção e edição das imagens para lançá-lo, mas o texto já está finalizado.


Primeira pessoa


A narrativa em primeira pessoa forma personagens bem definidos e confere ao leitor uma espécie de "onisciência" dos fatos. Dessa forma, os heróis acabam deixando escapar que sua conduta não é tão idônea quanto transparece. A mudança rápida da ótica do mocinho para o bandido mostra, de certa forma, que eles não são tão diferentes. Característica principal presente em todos os livros de Rodrigues, o sentimento de vingança é frequente e o discurso dos personagens reflete um pensamento do autor: "Minha maior ligação com os personagens é o sentimento de que a impunidade leva, invariavelmente, a um senso de justiça deturpado, que se torna uma vingança", afirma.

Os três primeiros livros podem ser considerados uma leitura rápida, com muito enfoque na ação e no desfecho direto dos personagens. A média de 100 páginas cada ajuda a reforçar este pensamento. Já em relação aos dois últimos, há mais espaço à introspecção dos personagens e a diálogos maiores e mais expressivos, aumentando a densidades dos textos. A linguagem é simples e coesa, mas não óbvia, permitindo aproximação dos mais diversos tipos de público. Todas as obras podem ser obtidas por meio do site da editora online Agbook, pelo endereço http://agbook.com.br/authors/20684

segunda-feira, 5 de março de 2012

Matéria: Espetáculo desconcerta o famoso romance de Verona


Espetáculo desconcerta o famoso romance de Verona

Grupo teatral apresenta versão contemporânea da obra de Shakespeare, "Romeu e Julieta"
Notícia publicada na edição de 04/02/2012 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 008 do caderno C - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

Luiz Fernando Toledo
luiz.toledo@jcruzeiro.com.br 



Esqueça o arquétipo da tragédia projetado pelo par romântico do século XVI. No espetáculo "Romeo e Julieta e os Habitantes de Góia", do grupo teatral "#Textopq?", o contexto é de contemporaneidade. Buscando uma fuga  aos moldes da obra clássica de Shakespeare, as atrizes sorocabanas Thailini Rocha e Gabriela Ricci abusaram da licença poética para desenvolver um espetáculo criado completamente por crianças e adolescentes, integrantes da trupe que dirigem.  Apresentado neste domingo (5), no Teatro Pedro Salomão José - E.E. Getúlio Vargas,  o resultado é de 45 minutos de muita imaginação, chamando a atenção pela ousadia, e talvez, torcer o nariz dos mais tradicionais.
 
O espetáculo infantil surgiu de uma brincadeira.  Um grupo de alunos de 8 a 17 anos da Escola de Dança e Teatro Arabesq discutia qual seria a próxima peça que apresentariam. Thailini perguntou aos alunos que personagem gostariam de representar. "Um jedi!", bradou Bruno César,  17 anos, que foi recebido pelo sarro dos colegas. A proposta, com entonação de humor, foi aceita pela atriz, que respondeu em prontidão: "Por que não?".  E assim, a história começou a se esboçar.
 
O nome do grupo, "#Textopq?" faz clara referência à sua filosofia de criação artística. Ao invés de decorar falas e produzir cenas em seu entorno, optaram por uma seleção de retalhos: cada ator foi também seu próprio autor, criando um personagem e suas problemáticas.  O roteiro foi se costurando durante as criações.  Será possível? De acordo com Thailini, totalmente. "Se purdemos fazer a diferença para alguém com a nossa arte, estaremos satisfeitos", explica um texto de apresentação do "#Textopq?". 
 
A confusão literária promete introduzir diversos novos personagens à trama. O tradicional Romeo (grafado de forma diferente à original, para não confundir), não é o mesmo dos campos de Verona. Distante da rivalidade entre Capuletos e Montecchios, ele é um jovem apaixonado, que se rendeu aos encantos de uma moça de seu convívio, e após a leitura da obra de Shakespeare, pareceu indignado com o fato de não ainda não tê-la conquistado. Não bastasse a curiosa metalinguagem de personagem para personagem, inserem-se ainda a família real de Góia, uma guerreira árabe, um gnomo e um peculiar agente secreto ao quadro inventivo da peça, incitando a curiosidade pela história criada pelo elenco de 9 atores: Hilary, 8 anos, Bruno César (17), Hellen(9), Jean Felipe (15), Larissa (10), Laura (11), Mariane (10), Samira (11) e Tamaê (11). Um verdadeiro passeio ao imaginário, que desafia a criatividade dos pequenos talentos.

"Memórias de uma adolescente na Segunda Guerra" é alternativa para o domingo

Contando também com as atrizes Thailini Rocha (iluminação) e Gabriela Ricci (som/direção), o teatro Pedro Salomão José dará espaço aos relatos da segunda Guerra Mundial de uma conhecida obra: O Diário de Anne Frank. O espetáculo "Anne Frank - "Memória de uma adolescente na Segunda Guerra" é uma adaptação do grupo teatral "Sóde Quarta" ao roteiro original, que mostra a história de uma adolescente judia, que viveu dois anos escondida com sua família em um sótão em Amsterdam, durante o Holocausto.

O "Sóde Quarta" é constituído de jovens de 14 a 18 anos da cidade de Itu, e teve início a partir de um projeto da Universidade de Sorocaba (Uniso), encabeçado pela atriz Gabriela Ricci, formada recentemente em Arte e Educação, pela instituição. Seu primeiro trabalho foi a interpretação e adaptação para o teatro da obra do pintor ituano Almeida Junior, precursor da temática regionalista nas artes plásticas. O resultado satisfatório fez o grupo retornar às atividades no final de 2011, escolhendo "O Diário de Anne Frank" como retomada. A opção pelo texto, de acordo com Gabriela, se deve à sua relevância histórica, e a veracidade de seus relatos. A prepação do elenco envolveu, além de uma série de estudos de textos e livros sobre o período, exercícios que fizessem com que cada um dos atores se sentissem em momentos de repressão, tristeza e clausura, buscando proximidade com o sofrimento da protagonista.


Serviço:

"Romeo e Julieta e os Habitantes de Góia" e "Anne Frank - Memórias de uma adolescente na Segunda Guerra"

Teatro Pedro Salomão José - E.E. Getúlio Vargas - Av. Eugênio Salerno, Nº 298.

O primeiro no Domingo, às 15h, com entrada franca mais um litro de leite.

O segundo, às 19h

Com ingresso ao preço de R$ 15 inteira e R$ 7 meia.

Outras informações: (15) 3226-4496 / (11) 8857-1829

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Matérias: Fim de mais um ato e A Arte de viver de Arte


Fim de mais um ato

(reportagem dupla, confira também "A Arte de viver de Arte")

Fechamento da escola de teatro Etac levanta a discussão sobre a dificuldade de viver de arte na cidade; docência é alternativa financeira



Notícia publicada na edição de 25/02/2012 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 2 do caderno C - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

Luiz Fernando Toledo
luiz.toledo@jcruzeiro.com.br 


Salas vazias e um sentimento latente de esperança. Foi o que restou da Escola Técnica de Arte e Comunicação de Sorocaba (Etac) e para o diretor de teatro e ator Tom Barros, além dos mais de 700 alunos que por lá passaram nos seus cinco anos de funcionamento. Localizada em três diferentes endereços ao longo de sua existência, por questões administrativas, a Etac deixou sua marca na cidade, plantando sonhos e buscando, por meio do teatro, incentivar "novas visões de mundo" aos seus alunos, nas palavras de Tom Barros. Do início, em 2006, ao fechamento, em dezembro de 2011, o diretor diz que o saldo do trabalho foi expressivo: mais de 50 espetáculos inéditos apresentados em Sorocaba e região. No último semestre de atividade, dispersaram-se 8 professores e cerca de 100 alunos, que passaram a buscar um novo espaço dentro das artes cênicas. O episódio ocorrido com a escola suscita a discussão sobre como viver de teatro na cidade e a forma como a produção artística é encarada por aqui.

Leia também: A arte de viver de arte

Barros é sucinto e cauteloso ao falar dos motivos que determinaram o fechamento da escola. "Foram problemas financeiros consecutivos", relata. A primeira sede, situada na rua Padre Luiz, 665, enfrentou alguns problemas pela falta de estacionamento aos alunos, motivando a ida para uma casa na rua Ema Zacchi Police, 73, esta desapropriada para a construção de uma escola infantil. "O endividamento se acumulou de forma que a terceira sede, na rua Castanho Taques, 227, já não tivesse o fôlego das unidades anteriores", explica o diretor. 

A maior preocupação de Barros, ao perceber que precisaria encerrar as aulas da Etac, era que as atividades do último semestre de 2011 não fossem prejudicadas, nem os espetáculos em andamento se desmantelassem pelo desânimo. "A opção foi manter segredo até o último momento. Depois de apresentadas as peças, eu revelei a todos. Simplesmente não abri matrícula no começo de 2012", explica. 

O diretor tem pretensões de retomar o ensino de teatro no futuro, mas já adianta que somente se houver algum incentivo público. "Quero me distanciar do ensino privado, pois a dor de perder a Etac foi grande. Para mim, foi como a vitória do capitalismo sobre a arte", filosofa. 

Opções de cursos

Apesar de não existirem dados oficiais, a Associação Teatral de Sorocaba (ATS) aponta aproximadamente 10 grupos de artes cênicas em atividade atualmente na cidade. Para o cálculo, foram levados em consideração a periodicidade dos espetáculos apresentados e a receptividade do público. Vale ressaltar que muitos desses grupos desenvolvem também oficinas abertas à população, possibilitando uma introdução ao teatro. As aulas também são uma forma de angariar recursos financeiros às companhias. 

A Companhia Camarim, dirigida por Hamilton Sbrana, existe há 10 anos, e apresenta um repertório vasto. A Cantata de Natal na Estação foi uma das recentes realizações da trupe. Junto à Camarim, formou-se, no início do ano passado, a Casa do Ator, oficina para quem deseja aprender teatro, mesmo sem possuir nenhuma experiência, ou mesmo para perder a timidez. "A Casa do Ator ensina teatro, mas muitos nos procuram por outras razões. Alguns querem ter mais disciplina para passar em um vestibular, ou mesmo para conseguir falar em uma entrevista de emprego", explica Sbrana. 

A trupe Koskowisck promove oficinas voltadas ao clown e ao universo circense. O grupo já apresentou cerca de 20 montagens diferentes e viajou pelo país com a peça "O Moço que casou com Mulher Braba". Atualmente, está com matrículas abertas para "O Teatro e a Comédia", estudo que busca a reflexão e pesquisa prática pelo universo do humor. 

A trupe Nativos Terra Rasgada, que conta com a participação de ex-professores da Etac, desenvolve oficinas de teatro de rua em diversos bairros da cidade. O ator Flávio Melo destaca um dos trabalhos mais importantes do grupo, desenvolvido na Vila Helena: em cerca de 8 meses, criaram e apresentaram a montagem "Vila à Vista", projeto que incluiu 60 pessoas, entre atores e moradores do bairro, sem limite de idade. Ele recorda que ao final da temporada, quando deixariam o bairro, uma das alunas indagou: "Vocês vêm para cá durante praticamente um ano, nos mostram essa nova realidade, mudam a nossa vida, e agora simplesmente vão embora?" Para o ator, foi um choque, que conduziu o Nativos Terra Rasgada a pensar em projetos mais longos com a comunidade. 

Além das oficinas, existem cursos de teatro oferecidos por instituições na cidade. A Fundec (Fundação de Desenvolvimento Cultural de Sorocaba), em parceria com a Prefeitura de Sorocaba, abre cerca de 130 vagas por ano, em janeiro, por meio de teste. As aulas são ministradas pelo ator e diretor Mário Pérsico e o curso têm a duração de 2 anos. O Sesi traz um curso com seis horas semanais, divididas entre técnicas específicas, como dança-teatro, teatros performático e narrativo, entre outros, e no final do ano, uma peça é apresentada.

Confira alguns cursos oferecidos na cidade:Oficina Cultural Regional Grande Otelo
Cursos gratuitos são oferecidos ao longo do ano. No momento, não há inscrições para teatro.
Praça Frei Baraúna, s/nº
Telefone: (15) 3224-3377 / 3232-9329


Fundação de Desenvolvimento Cultural de Sorocaba -Fundec
Curso gratuito de teatro abre vagas somente em janeiro, por meio de teste.
Rua Brigadeiro Tobias, 73
Telefone: (15) 3233-2220

Programa "Mais Cultura", da Prefeitura de Sorocaba
As aulas gratuitas de teatro. A inscrição pode ser feita em diversos endereços, dependendo da oficina desejada.
Para saber o local, e obter outras informações, o telefone é (15) 3211-2911

Grupo Nativos Terra Rasgada
Oficinas de teatro de rua, vagas abertas
rua Princesa Isabel - 607 -Vila Carvalho
Informações: (15) 3032-0312

Sesi - Núcleo de Artes Cênicas (NAC)
Dança-teatro, teatros narrativo e performático e outras técnicas (de graça)
20 vagas, seleção por teste
rua Duque de Caxias, 494, Mangal
Informações: (15) 3388-0419

Camarim - Casa do Ator
Aulas de teatro, vagas abertas
rua Vicente Decária, 373 -Jardim Rosária Alcoléa
Informações: (15) 2104-5489 ou 2104-1243

Trupe Koskowisck
Oficinas com vagas abertas
Rua da Penha, 823, 3ºAndar Centro Sorocaba/SP
Informações: (15) 2104-8873, (15) 9746-8589 ou (15) 9111-4336

Para outras informações, o telefone da Associação Teatral de Sorocaba (ATS) é (15) 3032-0312.


A arte de viver de arte



Notícia publicada na edição de 25/02/2012 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 2 do caderno C - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.




                                                                  O diretor Mário Pérsico /  foto: Fábio Rogério


Luiz Fernando Toledo
luiz.toledo@jcruzeiro.com.br 


É possível viver de teatro em Sorocaba? Para se aproximar de uma resposta e, principalmente, levantar uma reflexão sobre o tema, o Mais Cruzeiro ouviu alguns diretores já renomados na história do teatro sorocabano, além de atores e estudantes. 

Hamilton Sbrana, da Companhia Camarim e também professor do projeto "Mais Cultura" (mantido pela Prefeitura), comemora o momento. Para ele, a cidade vive uma época próspera e favorável às artes num contexto geral, fator ocasionado, segundo ele, pelo interesse da Prefeitura de Sorocaba em promover a cultura como forma de combate a outras questões como a violência e a miséria. "A procura pelos cursos é muito grande, o que mostra que o sorocabano está tendo grande interesse pela arte", comenta Sbrana. "A Fundec, por exemplo, não consegue atender a demanda de alunos que tentam se inscrever no curso e acaba tendo que limitar as vagas", explica. Sobre a qualidade dos projetos locais, ele rasga elogios: "Temos produtores de cultura de alto nível em nossa cidade. Atores e autores que não se focam apenas na cidade, mas que têm destaque em todo o Brasil", comenta o diretor, enquanto cita nomes como Fernanda Maia e Robson Catalunha. Sbrana também fala do projeto "Mais Cultura", da Secretaria de Cultura e Lazer (Secult) em parceria com a Secretaria da Educação (Sedu), que promove oficinas gratuitas de balé, jazz, teatro, dança de salão, flauta, capoeira, violino e guitarra em diversos locais da cidade. "Acredito que a cidade esteja ressurgindo das cinzas. Estamos retomando o tempo áureo de Sorocaba, nas década de 40 e 50, quando levávamos a nossa arte para todo o país", conclui. 

O professor e ator Mário Pérsico, que dirige e atua na Cia. Clássica de Repertório e dá aulas de teatro na Fundec, faz menção à Lei de Incentivo à Cultura (Linc) e sua relação com a produção artística desde a sua criação, em 1998. "Foi possível sonhar mais e desenvolver melhor os trabalhos, no sentido de produção: maquiagem, figurino, cenário entre tantas outras coisas." Além disso, o ator relata que a preparação dos atores se profissionalizou: "Agora, é possível contratar professores de canto, de preparação corporal e o que for preciso para sair do âmbito do teatro amador", comenta. Em contrapartida, Pérsico alerta os acomodados: "É importante manter a criatividade. Sem apoio financeiro, os diretores e atores precisavam buscar cenário e roupa que não tinham, o que fortalecia e muito a imaginação no espetáculo. Hoje com a Linc, o perigo é que esse consciente criativo se perca no comodismo", reforça. 

Na dicotomia "arte x produto", o diretor Roberto Gill de Camargo, que é professor no curso de Teatro (Habilitação em Arte-Educação) da Uniso e fundador de um dos grupos mais renomados da história da cidade - o Katharsis -, é direto. "O profissional de teatro precisa viver, pagar suas contas, recolher encargos (INSS, FGTS,plano de saúde), aluguel e tudo o que um cidadão comum faz. A bilheteria não cobre isso, mesmo com a ajuda dos editais. No caso do Katharsis, quase todos exercem a docência, além de participarem das peças", explica. Para ele, trata-se de uma disputa complexa: "Falar em arte no capitalismo é utopia. O que interessa é o produto, a mercadoria, o consumo, o dinheiro, a fama e a alienação. Essa dicotomia entre arte e mercadoria existe no mundo todo." 

Um exemplo prático da situação é vivido pela atriz Bárbara Diggelmann. Recém-formada em Teatro - Arte e Educação pela Uniso, Bárbara chegou a apresentar 10 espetáculos em um ano, quando estava na faculdade. Apesar da experiência adquirida, viu a necessidade financeira de deixar os palcos de lado e partir para sua segunda opção: dar aula. "É muito difícil começar um grupo de teatro fazendo o que os outros já fazem sem verba, porque o público não paga grandes valores para assistir peças e há pouco incentivo", salienta. A atriz acabou descobrindo um campo pouco explorado pelos recém-formados na região, o teatro terapêutico: Bárbara passou a realizar oficinas de arte numa instituição de saúde mental. E já avisa: "aos preconceituosos que afirmam que teatro não é terapia, eu digo que é possível sim utilizar-se dele - e da arte como um todo- como meio terapêutico, desde que possa se contar com técnicos e equipe capacitados para tanto", argumenta. E a atriz se diz satisfeita: "A impossibilidade de atuar nos palcos me fez descobrir algo que merece mais atenção e que me cativa mais a cada dia". 

Apesar das dificuldades, idas e vindas, o interesse pelo teatro é grande, e não faltam exemplos de jovens que se empenham em conseguir um espaço na cidade. A estudante de teatro Luciane Cavassana, de 17 anos, veio de Angatuba para cá, deixando pais, escola e hobbies, em busca de um curso que a capacitasse para o mercado de trabalho nas artes cênicas. "Pesquisando na internet, minha mãe encontrou a Fundec e a Etac, e me deu total apoio para vir morar aqui. Como minha irmã vive em Sorocaba, foi mais fácil", comenta. Apesar de já ter concluído o curso de 2 anos na Fundec, e do desfecho da Etac, ela foi adiante: "Faço várias oficinas e workshops na Oficina Cultural Grande Otelo e também um curso de comédia dado pela Trupe Koskowisck", diz. O saldo foi positivo para a estudante, que comenta com satisfação: "Sinto que se eu tivesse ficado morando lá no interior jamais teria o conhecimento que eu tenho agora e sou muito feliz assim", completa, em tom de satisfação. 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Matéria: "House" terminará em abril, após 8 temporadas de sucesso

"House" terminará em abril, após 8 temporadas de sucesso

A troca de atores contribuiu para repentina queda de audiência





Luiz Fernando Toledo
luiz.toledo@jcruzeiro.com.br  


O mais famoso e misantropo médico da televisão vai encerrar suas atividades em abril. Criado em 2004, por David Shore, a série médica da Fox - que também é transmitida pela Record, às quartas-feiras -, terá a oitava temporada como a última da série, conforme anúncio feito pelos produtores essa semana. Apesar de manter a audiência elevada, "House" registrou queda significativa de espectadores após sofrer mudanças drásticas no elenco e no roteiro. A saída da atriz Lisa Edelstein, que interpretava o par romântico de House, Lisa Cuddy, e as mudanças no quadro de funcionários do hospital Princeton-Plainsboro trouxeram grande impacto aos fãs da série.

Em mais de 150 episódios que foram ao ar desde o episódio piloto, "House" se destacou por romper com quaisquer que fossem os códigos de conduta médicos, preceitos éticos aceitos pela sociedade e moralidades intrínsecas a qualquer ser humano. O método "socrático" de trabalho em equipe de Gregory House (interpretado pelo ator Hugh Laurie) trouxe uma relação dialética entre os personagem que a ele se relacionavam. Odiá-lo, amá-lo, respeitá-lo ou ignorá-lo? Das quatro opções, somente a última era inevitavelmente descartada por sua equipe médica e seu único amigo, James Wilson.

A personalidade do médico desafiava o entendimento dos espectadores da série. Centenas de críticas e análises do personagem constam nas páginas da web, além de livros, que além de tratar do personagem, fazem questão de explorar a série em sua amálgama de questões pertinentes à filosofia e ética medica, ao mesmo tempo em que aborda temas comuns como o amor e a amizade.

O humor se tornou parte dos diálogos caricatos de House e seus pacientes clínicos, ou mesmo quando ridicularizava sua equipe médica. Enquanto discutiam um caso da septuagésima doença que poderia se tratar de "lupus", mas no fim não era, aproveitavam para ironizar a baixa estatura e o nariz grande do médico Taub, a bissexualidade de Thirteen e a afável filantropia do oncologista Wilson.

Mesmo para um observador externo, que assista apenas um dos episódios de forma descontextualizada, a reflexão introspectiva gerada pelos acontecimentos é inevitável. Despir-se das amarras de toda e qualquer decisão considerada comum é o primeiro passo para se integrar no universo de "House", em que qualquer atitude suspeita de um paciente pode ser considerada um sintoma. Um excesso de altruísmo por parte de um homem rico pode ser um sintoma. Respeitar o acordo de D.N.R (Do not ressuscitate, ou a "ordem de não ressuscitar") de um doente é opcional.

A religião teve espaço fundamental nas discussões da série. Apesar de enfatizar por diversas vezes o ateísmo do protagonista, David Shore tomou o cuidado de incluir minúcias que deixassem claro que nem mesmo o persuasivo médico das evidências fosse totalmente convicto da ausência de um deus, além de respeitar outras crenças ao longo do seriado.

O final da sétima temporada, estrondoso em seu desfecho de insanidade, abriu espaço para um final de série com um roteiro bem amarrado. Apesar dos poucos episódios que restam, saberemos em breve que fim levará o desumano mais humano da história da televisão. 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A culpa não é de Luísa, que voltou do Canadá

A TV tem o papel de educar?

O jornalista Carlos Nascimento, do Jornal do SBT, bradou a afirmação de que "já fomos mais inteligentes", logo na abertura do noticiário de ontem. Sua crítica se referia ao fato, de que os assuntos "Luísa, que voltou do Canadá" e "estupro no BBB" ocuparam as manchetes de diversos jornais do país, destacando-se até mesmo na TV, com uma reportagem feita pelo Jornal Hoje, na qual Luíza foi entrevistada assim que retornou ao Brasil.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Monografia: Estrangeirismos na revista Rolling Stone


Esta pesquisa foi realizada entre agosto e outubro de 2011, como parte do processo de conclusão do curso de jornalismo da Universidade de Sorocaba. 

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Matéria: Infância em Sol Maior

Notícia publicada na edição de 04/12/2011 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 4 do caderno Cruzeirinho (infantil)



Infância em Sol Maior

Notícia publicada na edição de 04/12/2011 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 4 do caderno Cruzeirinho - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.
Luiz Fernando Toledo
luiz.toledo@jcruzeiro.com.br

"Vamos brincar de telefone sem fio!", diz a professora Natália a um grupo de meninas em uma tarde ensolarada de quarta-feira. Empolgadas, levantam rapidamente de suas cadeiras e formam um círculo no centro da sala. Pelas janelas, é possível ouvir melodias diversas. Algumas pontuadas por um piano choroso, outras, por um violino que parecia adorar cantar. Nenhuma delas está em uma festa. Na verdade, estão em uma sala de aula, estudando música clássica.

Eduarda Belli, de 10 anos, é a primeira a entrar na brincadeira. "Eu toco piano há muito tempo, nem sei quantos anos. Toco desde a fraldinha!" comentou, seguida pelo riso das amigas que não resistiram à piada. Natália, a professora, explica que Eduarda deverá fazer um ritmo qualquer com as mãos na costa de sua amiga. "É que nem brincar de telefone sem fio, mas ao invés de palavras, vocês vão batucar, e a amiguinha do lado vai tentar reproduzir, até chegar ao final da roda", comenta. 

A jovem pianista logo se empolgou, e criou o primeiro ritmo que veio à cabeça nas costas de Maria Eloísa Soares. "Não entendi nada", a amiga retrucou, fazendo as colegas caírem em risos novamente. "Vai de novo, Eduarda", pediu Natália. Ao final da roda, o ritmo estava todo trocado, e as meninas começam novamente. O gosto de Paula Cabral pela música começou cedo. Aos cinco anos, já arriscava as primeiras teclas do piano. "Comecei a tocar principalmente por causa da minha mãe", comenta. Paula sempre achou o piano o instrumento mais belo de todos, e se apaixonou pela ideia de tocar na igreja, ao lado de sua família e amigos.

A colega Maria Eloísa, de apenas sete anos, é a violinista da turma. Quando viu pela primeira vez uma orquestra tocando, na televisão, já teve curiosidade e seus olhos brilharam pelo delicado instrumento. A paixão pela música pode começar a qualquer momento. Seja pelo piano, violão, violino ou percussão, os pequenos talentos podem surgir mesmo se os pais não façam parte do universo musical. De acordo com Alessandra Mascarenhas, coordenadora dos cursos de música da Fundec (Fundação de Desenvolvimento Cultural de Sorocaba), a iniciativa, apesar de partir normalmente dos pais, surge também das crianças, que pedem para tocar algum instrumento logo cedo. "A relação com o instrumento é tão grande que alguns alunos que fizeram aula conosco, hoje são professores da Fundec", comenta.

E as dificuldades? Os alunos demonstram que tocar um instrumento também traz responsabilidades. Horas de estudo, disciplina e muita vontade, principalmente. Paula revela o seu segredo: "No começo é bem difícil e desanima um pouco. Mas depois que você pega o jeito, não dá vontade de parar nunca mais!", explica. Ao final da aula, a professora Natália convida o grupo a cantar. Soadas as primeiras notas do piano, todas entram na atividade com o sabor de uma brincadeira e enfeitam o ambiente com suas doces vozes da infância.

Musicalização pode começar aos 5 anos

A partir dos 5 anos de idade, muitas escolas especializadas em Sorocaba já recebem alunos para as primeiras noções musicais, também conhecida por musicalização. Marlen Godinho, do Conservatório João Baptista Julião, explica que as atividades voltadas às crianças se baseiam em brincadeiras e jogos. "No começoi, nada de teoria nem provas. A criança assiste desenhos, canta e toca pandeiro, além de ouvir muita música", diz. Dessa forma, elas adquirem suas primeiras noções de ritmo e descobrem para onde seu gosto se direciona. Nesse primeiro estágio, a parte sensorial da música é aguçada na criança. Muitos pais se questionam, acando que os filhos só estão na aula brincando. Mas nãoi. Marlen explica que todas essas atividades, "distanciadas" da música, na verdade fazem com que elas conheçam de forma natural esse universo tão vasto.

E para quem acha que a música pode atrapalhar nos estudos, a professora afirma justamente o contrário. "Conheço pesquisas que dizem que tocar um instrumento melhora a concentração, desenvolve a coordenação motora e estimula o raciocínio. Crianças que se relacionam com a música têm melhores notas na escola e se dão bem em qualquer atividade que desejarem", afirma.

A infância é o melhor período da vida para se iniciar na música. Cabeça livre de problemas, e uma grande capacidade de aprendizado fazem com que uma criança aprenda com muito mais facilidade do que um adulto.

O universo da música agrada a todos. Não tem preconceitos nem barreiras, é só se aconchegar e tocar. É um presente para se levar durante toda a vida, e mostrar aos amigos. Um dom para revelar a todos, e se orgulhar por isso.

sábado, 16 de julho de 2011

A cicatriz em forma de raio

Como acompanhar um personagem que parece real

Hoje tive um sonho nostálgico. Sonhei que tomava cerveja amanteigada em Hogsmeade, com amigos da Corvinal (que sempre foi minha favorita, dentre as casas), contando a todos como foi o jogo de quadribol da última tarde. Levamos a história para as escadas de Hogwarts, seguindo para as masmorras, enquanto Snape nos aguardava. Se esse sonho já faria algum sentido pra você há pelo menos uns 10 anos, esse texto é para nós.

O garoto que sobreviveu. Se Harry Potter recebeu uma pequena cicatriz em sua testa, resultado de um feitiço mal planejado de Lord Voldemort, todos nós também a recebemos , de um outro feitiço - muito mais poderoso e bem executado, por sinal - de uma bruxinha que divagava em trens europeus, J.K. Rowling. E nos obrigamos a acompanhá-lo, como se um imperius proibido nos atingisse despercebidos.

Vivemos dentro do castelo. Colecionamos figurinhas de bruxos e nos degustamos dos estapafúrdios feijoezinhos de todos os sabores. E enquanto eles cresciam - no mundo mágico de sete livros e oito filmes - nós também evoluímos. Sem nenhum esforço, podemos lembrar da primeira ida ao cinema, no frio saudoso de 2001, com nossos 10 ou 11 anos. Muitos não conseguiam esconder a sua paixão, e vestiam trajes, chapéus e até mesmo empunhavam suas varinhas para trazer a magia à tona. Crianças vivenciando o universo mais maravilhoso que já existiu. Ou pelo menos assim pensávamos, naquele instante.
Devoramos as páginas por dezenas e dezenas de vezes. Quando o último capítulo se apresentou, nos obrigamos a abandonar tudo e começar do início. O menino que sobreviveu.

Nós crescemos também, e agora trabalhamos, namoramos e por muitos momentos sentimos que "a magia acabou". Estas duas horas, envoltas de patronos e dementadores, resgataram um pouco daquele aroma gostoso de inocência. O aroma de voltar para casa com o livro de ciências na mão, jogá-lo no canto do armário e ler O Cálice de Fogo pela quinta vez.

A vibração de cada pessoa naquele cinema não correspondia a nenhum adulto. Fomos todos pequenos bruxos, com a insegurança e o medo de experimentar o chapéu seletor no salão comunal. Crianças ansiosas, se emocionando com a morte de entes do imaginário que mais pareciam parentes de carne e osso.
Snape nos derrubou lágrimas mais uma vez. Ele estava ali o tempo todo, por mais que ninguém o tenha percebido. E por falar em lágrimas, ele as deixou para que nos lembrássemos dele, não como o homem que destruiu um sonho, mas ajudou a levantá-lo.

A querida Helena Bonh...Ops, me desculpem, Belatriz Lestrange, nos dividia. Vilã odiosa ou estrela excêntrica? Seu desfecho incomodou, e o público não sabia se aplaudia Molly, ou se lamentava pela madame das trevas.

E a coragem de Neville assustou a muitos. Assustou tanto quanto a realidade que lhe foi imposta, desde criança. A superação constante, que fez com que o riso se abafasse por completo quando a espada foi empunhada, desafiando todo o seu passado.

A criação se completa (ou se renova) quando a criança pergunta ao pai:
- E se eu for pra Sonserina ?

O sussurro foi apenas para o pai, e Harry percebeu que só o momento
da partida poderia ter forçado alvo a revelar como o seu medo era grande e sincero.
Harry se abaixou de modo a deixar o rosto do menino ligeiramente acima do dele.
Dos seus três filhos apenas alvo herdara os olhos de Lilian Potter.
-Alvo Severo - disse Harry baixinho para ninguém mais exceto Gina,
poder ouvir e ela teve tanto suficiente para fingir que acenava para Rosa,
que já estava no trem-, nós lhe demos o nome de dois diretores de Hogwarts.
um deles era da Sonserina, e provavelmente foi o homem mais corajoso que já conheci .

Mais um ciclo terminou. E a gente se pergunta: foi tudo verdade ou aconteceu apenas em nossas imaginações? E um sábio barbudinho responde, todo de branco: "é claro que na imaginação, mas por que isso significaria que não é verdade?"