domingo, 30 de novembro de 2008

O caminho alternativo


Como sempre, na vida de um desocupado, há uma poesia para praticamente tudo. Elas acabam se tornando parte de quem possui afinidade com a escrita(ou não), e revelam fatos que muitas vezes não esclarecemos muito bem num texto direto. Enfim, sem mais delongas, eu gostaria de introduzi-los a um dos últimos que fiz(um pouco meloso e emotivo), mas que dará melhores explicações do tema que será abordado.



Caminho alternativo

"Quando se segue o caminho alternativo
Seus suprimentos são insuficientes (ou lhe sobram)
Seu corpo lhe reserva dor
Seus olhos são seus melhores e piores amigos

Os melhores porque fazem enxergar a rota
Os piores, pois o resultado já se sabe

Quando se segue o caminho alternativo
As flores passam a mudar de um ponto
Deixam de exalar perfume
Delas, o que resta é apenas beleza

As lembranças te perseguem o tempo todo
Fazendo cada segundo dessa trilha parecer uma oportunidade de desistir
Mesmo sabendo que não haverá descanso, não haverá ressentimento
O caminho alternativo passa a tomar corpo, e com ele, sentimentos escassos e degenerados


Ao fim de tanto sofrimento e feridas, já se sabe que ele jamais fora caminho alternativo
Pois o outro caminho jamais existiu
Tanta luta, tanto tempo, tanto esforço, tanto sacrifício, tantas palavras.
É mais do que uma poesia, é mais do que história. Mas desta essência, acredito que ninguém ainda foi capaz de entender.
"

Tá, pode ter ficado ruim, você pode ter não gostado, enfim: o significado dela pode se resumir a uma simples palavra - conformismo. Quando você sabe que vai estar na pior, sabe que não é aquilo que procura, MAS, acaba optando por esse caminho por uma série de fatores, da mais inútil preguiça, à incapacidade de cada um, etc.
Já encontrei muito disso em relações amorosas, e explico o porquê: ninguém sabe o que é amor, ou pra que ele serve. Ninguém sabe de onde ele vem, como vai embora(ou se ele vai embora), e porque influencia tanto nossas vidas. Músicas, poesia, filosofia e ciência(por que não a fé?), não necessariamente nessa ordem, já deixaram a sua mensagem - correta ou não - sobre o amor. Partindo desse princípio do desconhecido, muitos levam esse sentimento como um objetivo de vida, visando somente ter alguém ao seu lado, sentir isso por todos. A fuga de sua realidade é inevitável, muitas vezes penetrando num universo de fantasia e ilusão do qual dificilmente vai sair sem um bom psicólogo. O problema é que muitos se esquecem, como diz a 'sorte do orkut', que o primeiro amor é o amor próprio, e depois os outros. Disso, tem-se algo que algo que observamos em muitos casais por aí, o que me irrita profundamente(e você não se importa nem um pouco com isso, mas deixemos esse comentário de lado): "doar-se para o outro". Entregar-se de corpo e alma, fazer tudo pela pessoa amada, muitas vezes, sem que a recíproca seja verdadeira. Muitas vezes, no início de uma relação, desconhecemos o parceiro, de muitas formas. Isso acaba gerando, posteriormente, um grande sentimento de conformismo por parte de um dos dois: já está ali mesmo, namorando, com a 'pessoa amada'(mesmo sem saber dizer o que é amor, sempre!), sofrendo, mas continua querendo ficar com ela. Chegamos a um ponto em que você nem espera mais mudança alguma, ou já sabe o que vai acontecer, com a maior facilidade. E continua ali, insistindo no que não lhe beneficia, no que lhe destrói aos poucos, como se aquilo fosse a salvação de nossas vidas. Já me basta a religião que aflora nas mentes humanas, temos mais o amor pra lidar, com todas suas raízes, ora nutritivas, ora desgastantes, e essa balança é desigual. Sim, acredito que para amar(também não sei o que é amor, deixo claro) é fundamental que haja alguns sacrifícios, doar-se em partes ao companheiro, MAS NÃO A PONTO DE ESTRAGAR SUA PRÓPRIA VIDA, perder-se em meio a devaneios amorosos sem o menor sentido, enfim, acabar se desviando de tudo o que planejou até então. Afinal, todos temos um plano, não? Ou ao menos deveríamos ter, àqueles que não seguem a auto-estrada para o nada, um objetivo, meta, ou muitas. O amor não era pra ser uma coisa boa?

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Muito além do "single-serve"


Do título...
T
alvez uma das visões do personagem principal do Clube da Luta(interpretado pelo brilhante Edward Norton) que mais tenha me chamado a atenção no começo do filme, os "single-serve" nada mais era que uma comparação inteligente entre os "pacotinhos" que recebemos no avião, de açúcar, sal...às amizades feitas no mesmo, que começavam e terminavam ali mesmo. Acho que nunca prestei tanta atenção num detalhe por tanto tempo assim. Isso é bem comum. Nada como se sentir íntimo de alguém que você acaba de conhecer, sabendo que jamais encontrará aquela pessoa em sua vida, ou mesmo que a probabilidade é bem baixa. Existem pessoas que se abrem, outras que preferem manter a distância num diálogo, jogando apenas dados e informações avulsas, como uma revista. que exibe apenas anúncios, deixando seu conteúdo de lado.

Talvez, uma de minhas maiores inquietações, que deu origem a um monte de textos sem sentido, poesias esquecidas, e até mesmo ao meu querido livro que não sei como dar continuidade, a relação entre duas pessoas, independente de qual seja: amor, amizade, coleguismo, relacionamento virtual(que eu não considero como nenhum dos anteriores), profissional, etc. O que, afinal, é se relacionar? Os diálogos de hoje se resumem a dispersar palavras, sem muita preocupação com o alvo ou todo o processo que envolve essa troca de informações(que na verdade, deveria ir muito além disso). Não sou nenhum formado da área, dificilmente teria uma explicação tão boa quanto a de alguém que estuda a relação entre as pessoas, mas como sempre nesse blog, explico o que eu acho e percebo em certos aspectos. Numa conversa entre homem e mulher, normalmente existe um único objetivo, que usa e abusa do meio "diálogo" para ser alcançado: conquistar a tal pessoa. Ou seja, a conversa mesmo acaba sendo uma ponte para algo, e não o contrário. Ela deveria ser valorizada como um momento em que entramos em contato com um outro, que vive em um corpo diferente e tem perspectivas diferentes. Sabe aquela sensação que todos têm quando vão de encontro a alguém famoso, ou conseguem apenas um "Oi" dessa pessoa? Então, por que apenas com essas pessoas, e não com todos? Conversar com o patrão é puxar o saco, conversar com a mãe é pedir dinheiro, com o professor é pedir conhecimento. Sempre em busca de um objetivo para desenvolver a si próprio, sob qualquer forma. A densidade dos papos que vemos por aí, prefiro não comentar muito. Para realmente entrarmos em contato com o outro, só se for no psicólogo, pagando. Já virou sinônimo de jogar informações, o outro receber, jogá-las fora e mandar as dele. Isso é praticamente um monólogo. De que adianta ouvir, se não desenvolver aquilo que foi ouvido?

Me add? Quero fazer novas amizades!

Temos ainda o fator "virtual e real". Pessoas desenvolvem "amizades" pela internet com muita freqüencia, principalmente após a chegada do orkut no Brasil. A adolescência dos scraps passou de tendência a obrigatoriedade. Hoje, todo mundo tem orkut, ou já teve(e tem vontade de refazê-lo, no caso). As brigas dos casais aumentou, à medida que a privacidade foi começando a ser deixada de lado. Aí, surgiram centenas(centenas mesmo) de amigos "single serve", mas não sei se esse seria o nome ideal, porque é algo diferente. Pessoas que te amam no primeiro encontro virtual, amigos que te consideram demais sem nem saber seu nome direito(muitas vezes, apenas parte dele, contida no seu nick) e toda uma vida falsa que se esconde nesse mundinho do monitor. Mas é diálogo que eu falo, não quero entrar na questão mais que batida da internalização do ser, nem da banalização do amor, etc etc. O que está levando as pessoas a transformar tudo isso num nada? Entrar no MSN e ter 309832487 contatos diferente, é algo que para alguns possa parecer motivo para orgulho, achando que são populares, e extremamente sociáveis, o que nada mais é que um grande número de single-serves que surgiram na internet, de papinho aqui e ali, e nunca mais. A preocupação em ser popular e conhecer todos é tão grande, que a pessoa não se toca, que na verdade, não conhece ninguém. Sabe nomes, provavelmente uma história ou outra, mas não conhece ninguém. Entra num enclausurado das informações que eu venho tanto citando aqui, que não servem pra absolutamente nada. Isso não é se relacionar, é criar um catálogo de informações alheias de utilidade duvidosa. Não é de se espantar que essas pessoas conheçam tantas outras. Se não nos satisfazemos com um, precisamos de muito mais. Justamente por não saber se aproveitar(no bom sentido) do mesmo. Se existe alguma coisa que une as pessoas é o diálogo. Entenda "unir" como estabelecer uma relação, e não um agrado surgido pela mesma(um diálogo também pode criar inimigos).
Enfim, esse meu monólogo já me deixou de saco cheio, comentem e vamos dialogar!

Ao som de Bloodbath - Treasonous

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Futilidade?


A moda hoje é dizer que tudo e todos são fúteis. O novo programa na TV é fútil, a apresentadora é fútil, o tema é fútil, e até o cameraman é fútil por focalizar regiões tão sem conteúdo(hahaha). De tanto ouvir essa palavra, ler, em tudo quanto é canal de comunicação, principalmente em fóruns de internet(leia orkut de uma vez), me inquietei.


Mas afinal, que raios significa ser fútil?


Segundo a grande enciclopédia dos semi-analfabetos(que eu uso freqüentemente, por sinal):

"Futilidades ou coisas fúteis são atividades, conversas ou sentimentos vazios que não levam a crescimento algum,também pode-se dizer que são informações sem conteúdo.Coisas sem conteúdo. A palavra futilidade se refere à falta de valor, sem importância, vulgar, banal, sem sentido, sem nexo, sem noção, vazio.

Ainda pode-se dizer que é: bobice, boboquice, chochice, frioleira, frivolidade, inânia, leveza, leviandade, levidão, ligeireza, ligeirice, nugacidade, nulidade, coisa sem valor, pequena; insignificância, ninharia, tolice, vaidade, vanidade, etc..."

Agora: pare e pense! "Falta de valor" é algo bem subjetivo. Ter valor pra uns não significa ter valor. Valores, diferenciais, enfim...Tudo aquilo que deve ser definido como prioridade e de extrema importância pra uns, com certeza pra outros não passam de fétida experiência perdida. Priorizar o seu conteúdo e o seu conhecimento, fará de outras coisas, com certeza, fúteis! Outras pessoas também. Sempre estive "envolto" de todo esse contexto, por gostar bastante de internet, e participar(quase sempre) de discussões nas quais o que prevaleve é a tentativa de subjulgar o "adversário", com o objetivo de humilhá-lo. Normalmente, tal "façanha" é obtida com ajuda do mestre google, provando que o "outro" desconhece tais valores, e por isso é fútil. Principalmente no orkut, deparei-me com uma situação engraçada...Que por sinal, foi o que me inspirou a criar esse post. Este é meu profile(clique) (isso não é auto-divulgação aeiuhuaei, logo entenderão o porquê de eu estar postando isso!). Como podem ver, sou fanático por fotos, e inclua nesse hobbie, os adjetivos "toscas, exageradas, posers", ou o que achar necessário. Pois bem: me classificaria como fútil ou não, após observar meu álbum? Aposto o que quiser, que 90% das pessoas diriam que sou extremamente fútil, que só ligo pro que a mídia fala, que sou ignorante e provavelmente mais um fã de psy que vai dançar sem pensar na vida, que só pensa em academia e em mulheres e todo aquele blablabla pseudo-intelectual inferiorizado de sempre. Já li muito disso, as pessoas costumam associar auto-cultuação a ignorância e futilidade...

Mas o que é futilidade?

Entramos em questões totalmente sem resposta ao tocar no assunto. Primeiramente, aquilo que lhe interessa é o que possui alguma relação com a realidade por você vivida. Se joga videogames, com certeza adorará conversar com alguém que goste também. Poderão passar horas e mais horas falando daquilo, se divertir, e quem sabe fazer uma amizade a partir disso. E aí, o papo foi fútil? Provavelmente, pra quem não é chegado num joystick(não levem pro lado que já devem estar pensando), dirá que foi. Agora colocamos dois ditos "intelectuais", discutindo a respeito do terceiro movimento da obra do músico Antonio Vivaldi, As quatro estações(minha favorita, e talvez a única que eu sei tocar direito). Eles farão citações, viajarão na maionese, mas não sairão daquilo: comentários acerca do que ouviram. Fútil? É claro que dirão que não. Mesmo os ditos fúteis dirão que aquilo é uma conversa de "nerd", e não uma coisa fútil, afinal, eles já se consideram assim. Agora voltem a pensar...O que diferencia alguém que discute videogames e alguém que discute música erudita? Qual a diferença? São gostos diferentes, para momentos diferentes e coisas diferentes. É muita hipocrisia para um lugar só, não entendo isso e talvez nunca entenderei. A sociedade é movida por valores altos e baixos que não fazem o menor sentido, a ponto de que algumas coisas são condicionadas a nível de "alto padrão", e outras, não significam nada. Falar de moda é fútil, não nos leva a nada. Por quê? Muitas pessoas se sentem felizes com uma roupa nova, mudam seu humor quase que instantaneamente. Gostam de ir às compras. O que há de errado nisso? Eu me sinto MUITO bem quando estou em casa ouvindo Miseration, Scar Symmetry, Metallica...Isso não acrescenta absolutamente nada ao meu eu "acadêmico", mas me faz bem. Estou sendo fútil nesse momento? O blog, as postagens...Sâo fúteis? Interessam a uns, mas não são nada para outros. Enfim, poderia passar horas citando exemplos aqui de que esse papo de fútilidade não faz o menor sentido. Por que a imagem no início do post? Eu poderia muito bem colocar uma foto da Luciana Gimenez ou da Mulher Melancia(o que é comum em todo lugar quando se fala em "futilidade") mas estaria entrando em contradição com todo o meu pensamento, portanto deixei algo que o fizesse valer por si só: uma interrogação.

O QUE É FUTILIDADE?


Obs.: como bem observado pela minha amiga Helena, e antes que outros perguntem, vou deixar um esclarecimento.

"Mas o que me irrita profundamente é saber que existem indivíduos cuja única certeza é o que o presente lhe reserva, por mais fútil que seja."

Soa meio contraditório, após tantos comentários acerca da futilidade. Mas como eu mesmo disse, o que é fútil pra uns, pra outros não é, e cada um leva um objetivo em vida, certo? Ou muitos deles. E o que realmente eu considero "fútil" é não ser ninguém, é não fazer nada, é deixar tudo acontecer sem mover um dedo para mudar. Porque isso não é uma opinião. Isso é não ter uma.



quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Auto estrada para o nada





Q
uem aí nunca caiu nos clichês da filosofia barata "quem sou eu? Por que estou aqui?" e os grandes jargões deste meio um tanto "discutível"? Contentar-se com a própria existência é quase improvável(ao menos para muitas pessoas), o ser humano precisa de mais alicerces para estabelecer uma vida, precisa de raízes, e de conhecimento, inato ou não.
Alguns encontram respostas na religião, outros, no óbvio, talvez por medo de se aprofundar, e enfim, a ciência que (quase) tudo explica. O importante é manter-se aliado à alguma dessas respostas, em busca de um valor pelo qual faça sentido estar aqui. E já vi/ouvi milhares de respostas para isso, e a principal delas é o amor. Viver por amor! Um infinito de incertezas e nebulosidades, onde tempo e espaço se tornam quase que "à parte" de tudo. Alguns vivem pelo sucesso, pelo reconhecimento e pelo valor perante a sociedade. Mas o que me irrita profundamente é saber que existem indivíduos cuja única certeza é o que o presente lhe reserva, por mais fútil que seja. Aqueles que não se preocupam com nada além do quão inútil conseguem ser para o mundo. Em suma, pessoas vazias. Não entra em minha cabeça,que dentre tantas possibilidades de carreira, de estilo de vida, de pensamentos, a qual nos acometemos durante todo nosso processo de desenvolvimento, que ainda existam seres incapazes de tomar essas decisões, estando aptos a viverem num ócio eterno, como animais irracionais que apenas aguardam o próximo passo de algo que nem eles mesmos entendem o que significa, e não querem entender também. Enfim, apenas um desconforto de minha parte, que terminarei postando uma letra de minha autoria, da banda Death Whisper(sou vocalista :D, quando tivermos o primeiro álbum gravado, postarei aqui), que tem tudo a ver com o assunto citado, cujo nome é o mesmo do título do post.

Highway to Nothing

"(Corra, corra
Corra, seu nada
Corra, este caminho lhe persegue
Eles fizeram a tua estrada, segue-a)

A resposta, eu não achei
Meus desejos, jamais me preocupei com eles
A vitória, por que a desejar?
Se tudo isso vai apenas nos matar, matar, matar!

A vida, presenciei na TV
Com a vida, jamais me noticiei
Na vida, não fiz valer a pena
Quem sou? Não me faça responder!

(Corra, corra
Corra seu estúpido
Eles queriam a tua estrada
Mas não a fizeste)

Minha família, meus amigos
Partes de um jogo que não joguei
Meu hino de glória que não cantei
Sumam de mim!

Num mundo tão insano
Criaturas insanas
Sou um grande ninguém
Escravo de mim mesmo, do nada

(Corra, corra, corra seu desgraçado!
Aqui se faz, aqui se paga
E agora você deve morrer)

Pensei que eu jamais existi, nem vivi
Façam o que não fiz, tomem corpo e alma para tudo
Vazio era a estrada que trilhei, agora deixarei este lugar
Você é meu único, meu precioso
Meu filho

Não! Não! Não!

(Corra, corra
Você deixou um filho
A auto-estrada para o nada ele seguirá, se for covarde
Mas apenas ele mesmo saberá dizer quem é)"

-

P.S.: Christian Alvestam, o fodástico ex-vocalista da banda Scar Symmetry(death metal melódico, e um pouco de progressivo também), anunciou recentemente sua nova "full-time band", cujo nome provém do nome de uma das músicas de sua outra(ele tem muitas) banda, Unmoored: Solution.45 é o sonzaço que promete garantir o espaço que Christian merece, com seu talento brilhante no meio musical! Para quem quiser conferir, aí está o som, num teaser postado no myspace dos caras: http://www.myspace.com/solution45

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Retomando passos


É
comum ter uma idéia para escrever, e em seguida procurar uma foto inspirada nisso, para uma postagem. Mas interessante mesmo, é quando acontece o contrário, e uma imagem como esta acima, despertando alguns pensamentos, e talvez, meu primeiro "diário global" aqui do blog.
Olhar para trás. Tudo aquilo já foi seu algum dia. Todos aqueles amigos, todos aqueles momentos, momentos de raiva e até mesmo solidão(e como diz essa comunidade no orkut...), que a qualquer momento são trocados por uma realidade totalmente nova.
Essa é minha situação atual, fim do conhecido "terceirão"(que de "ão" não tem nada). Apesar de não ter criado nenhum laço muito forte com ninguém, muito menos nenhum amor(minha ex-namorada era de outra escola, por sinal), fica evidente o impacto que me traz saber que todo esse contexto de mais de 10 anos, com as mesmas caras e chatisses, venha a se modificar totalmente daqui pra frente. Repare que não estou situando tudo como algo bom ou ruim, apenas analisando o fato.
Empregos novos, cidade nova, escola nova, mulher nova!...Todos passamos por isso, ao menos uma vez na vida. Uma existência em plena mesmice é desperdício. Se até os intelectuais da literatura jamais se contentam com as escolas, e retomam valores, adicionam novos, evoluem(ou não), revolucionam...Tudo porque vivemos em constante mudança pessoal, sem exceção. Não existe esse papo de que apenas os inteligentes ou os que se julgam superiores é que sofrem tais "mutações". De formas diferentes, é claro. Todos vivemos em constante deformação do estado original, ou como em "Clube da Luta": "Eu morria todas as noites. E todas as noites eu renascia. Ressuscitado." E dessas mudanças, resultam num diagnóstico, a forma e o valor do ser. O indivíduo, por si só, com suas múltiplas mudanças de humor, seu olhar pífio, ou o que caminhar cambaleando.
Vale ressaltar que todo o processo é de apenas uma vida, portanto, cada "pedacinho" dele compõe o que você é. Como na fabricação de um carro ou qualquer outra coisa. A correlação íntima de todas as nossas estações devem entrar em sintonia com o presente. Muitas pessoas se esquecem de como alcançaram o que são hoje, ou como chegaram ali. E não importa se isso é uma ascensão ou uma enorme queda. Ambas são apagadas pelo tempo. Muitas vezes nos deparamos com situações nas quais o desespero aprofunda a reflexão psicológica: Por que eu? Que culpa eu tenho?
Administrar as nossas estações tendo como instrumento apenas o que tomamos no café, o dia de trabalho e o que passou na tv, pode parecer comum a qualquer pessoa, que por sinal está sempre reclamando da "rotina". Vê-se que muitas vezes, repassamos tudo de novo, e de novo, sem aprender. Não acredito em destino nem em "lições", mas tenho plena consciência de que errar é humano e errar duas vezes é burrice.
Vou até reler meu primeiro post agora. :)